O nevoeiro e o Bom Samaritano

Por © Inácio Steinhardt

sábado, 10 de Dezembro de 2005

Hoje acordámos numa manhã de nevoeiro.

Não era um nevoeiro muito cerrado. Mas lembrei-me do "smog" londrino.

Tal como as palavras, os pensamentos são como as cerejas: uns puxam os outros.

E ocorreu-me então uma história que li há muitos anos, salvo erro na versão portuguesa do "Readers' Digest", as famosas "Selecções", no tempo da II Grande Guerra.

Era um oficial do exército inglês, informado de que seu filho tinha sido ferido durante um bombardeamento, procurava chegar rapidamente ao hospital, onde ele se encontrava, a poucos blocos de distância de sua casa.

Mas o nevoeiro, misturado com o fumo, era tão cerrado, que ele não via mais do que um metro à sua frente. Então, na ansiedade de chegar rapidamente junto do filho, ele perdeu-se. Simplesmente não sabia em que rua se encontrava.

Decidiu então subir alguns degraus na entrada para uma casa, e, em voz alta, explicou a situação e perguntou se algum transeunte o poderia ajudar a chegar rapidamente ao hospital.

Logo se lhe dirigiu um homem, que lhe pegou no braço, e lhe disse "Venha comigo".

Poucos minutos depois chegavam à entrada para o hospital.

O oficial agradeceu muito ao "bom samaritano", mas não resistiu a perguntar-lhe como se conseguia ele orientar num nevoeiro tão intenso.

"É porque eu sou cego"

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