Mimuna, a deusa da sorte

Por ©  Inacio Steinhardt

segunda-feira, 9 de Abril de 2007

Na primeira noite depois da semana de Pessah, os judeus de Marrocos celebram uma festa destinada a atrair sobre eles a boa sorte e afastar o mau olhado.

A mesa dessa noite, não é posta como para uma refeição familiar, como nas noites do seder de Pessah, nem figuram nela os tradicionais cozinhados da famosa cozinha marroquina, as carnes e as mais variadas saladas.

Nesta noite a mesa é uma autêntica exposição de símbolos de sorte: o peixe numa bacia com água, cinco vagens de favas em massa de bolo, cinco tâmaras, cinco pulseiras de ouro, numa bacia com massa em que se imprimiram as marcas de cinco dedos, cinco moedas de prata, cinco jóias de ouro, uma jóia em forma de mão, e depois muitos doces, feitos com leite e manteiga, farinha branca, levedura, mel, diversos tipos de doces de frutas, um bloco de açúcar, espigas de trigo, plantas verdes, folhas de figueira, flores e ervas do campo.

Reproduzo esta variegada e pitoresca lista de um artigo do investigador Yigal Ben Nun, no diário «Haaretz», de 8 de Abril de 2007.

Ben Nun chama a atenção para o facto de todos estes componentes simbolizarem abundância, fertilidade, boa sorte, bênção e felicidade.

Mais do que posta, a mesa está exposta, para que se sirvam à vontade as visitas, os parentes, os vizinhos e os amigos.

As portas estão abertas, e toda a gente visita toda a gente. Mesmo os vizinhos muçulmanos vão fazer a ronda das casas dos amigos judeus, desejar-lhes boa sorte e festejar com eles o fim da desta de Pessah, que simbolizou a saída dos judeus do Egipto, da escravidão para a liberdade.

A saudação tradicional da noite é: "Tirbehu ve-Tis'adu", que significam: "êxito e Boa Sorte".

A julgar pelas descrições dos viajantes judeus, que passaram por Marrocos, no passado, a celebração da Mimuna teve início em séculos recentes e provavelmente representa uma continuação das tradições locais, destinadas a afastar o mau olhado e atrair a boa sorte.

Tem havido diversas tentativas para explicar o nome "Mimuna".  A mais comum é atribuir a celebração ao pai do filósofo Rambam, Moshé Ben Mimon.

Investigadores recentes dizem que Mimun e Mimuna eram os nomes dos deuses locais da sorte, masculino e feminino, em honra dos quais se compunha a riquíssima e farta mesa, e se expunham os símbolos da abundância, fertilidade e boa sorte .

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