Sunday, May 29, 2011
«Raízes dos Judeus em Portugal» é o título de um livro que acabo de escrever, e que espero seja publicado antes do final de 2011.
Terá como subtítulo "Entre Godos e Sarracenos". Primeiro pensei chama-lo " Judeus antes de ser Portugal".
Espero que desperte o interesse não só das pessoas que ainda não conhecem o assunto, como também de estudantes de história e jovens historiadores que nele encontrarão temas pouco explorados, que talvez queiram explorar melhor nas suas investigações.
Entre esses temas, algumas achegas sobre os primeiros judeus que chegaram à Península Ibérica e sobre as origens de Yahiya Ben Yaish, o percursor da dinastia dos Bne Yahiya, que foi arrabi-mor de D. Afonso Henriques. De onde veio e porqu chegou a Coimbra? Como e porquê recebeu do rei as três aldeias: Unhos, Frielas e Aldeia dos Negros? Qual era afinal a Aldeia dos Negros? Alguns seus descendentes que entraram na história de Portugal e da Europa, depois de se terem convertido ao islamismo e ao cristinianismo?
E outros episoódios da história dos judeus de que se fala e escreve muito pouco.
O tema que trateir neste trabalho representa um desafio, que me propus a mim próprio.
As fontes documentais sobre a presença judaica no território português, no período que precedeu a formação da nacionalidade, são assaz escassas. Talvez por isso poucos historiadores se tenham debruçado sobre este tema.
Apesar de tudo existem informações dispersas, em fontes portuguesas, hebraicas e árabes, que me pareceu útil reunir, analisar e conjugar, de modo a formar uma imagem, tanto quanto possível coerente, da vivência judaica, nas épocas e nos lugares em estudo
O objetivo que me propus alcançar foi traçar, em linhas gerais, a história da presença judaica no território que viria a ser Portugal, no período que antecedeu a formação do Reino Portucalense, e caracterizar as relações mútuas entre o povo judeu e o povo português, focando as contribuições recíprocas para a história de cada um deles.
Escreveu o professor José Matoso, na introdução à sua obra sobre D. Afonso Henriques: "Não é preciso ser historiador profissional para perceber que não se pode traçar a biografia de uma personagem medieval sem uma grande dose de imaginação. Os dados documentais são quase sempre escassos e fragmentários.[1] "
O mesmo se poderá dizer de um relato histórico medieval. Usei da minha imaginação, tanto quanto me pareceu válida, para a interpretação de factos relatados por fontes muitas vezes comprometidas e interessantes. A partir daí, procurei comprovar as minhas conclusões. Mas deixei sempre lugar para o leitor usar da sua imaginação e do espírito analítico para tirar as suas próprias ilações.
É, pois, uma compilação de fontes publicadas, e a sua colocação numa sequência lógica e concertada, o que ofereço ao leitor.