O Zohar e a Esnoga

Por © Inacio Steinhardt

domingo, 7 de Janeiro de 2007

"ZOHAR", ou o "Livro do Esplendor" é a primeira e principal fonte em que se baseia a ciência da Cabala.

Por estranho que pareça, ninguém sabe até hoje quem a compôs, onde e quando.

O Livro do Zohar foi publicado pela primeira vez pelo cabalista castelhano Moshé Ben-Shemtob de Leon, conhecido pelo acróstico Ramdal, que faleceu no ano de 1305.

O cabalista de Erets Israel, Rabbi Yitshak de Acco, a cujas mãos o livro chegou às mãos em fascículos, achou tão fascinante e importante, que decidiu investigar as suas origens, e foi a Castela procurar o tal Rabbi de Leon.

As notícias que temos sobre a viagem de Rabbi de Leon chegam-nos através de Rabbi Abraham Zacuto, que publicou uma parte incompleta de uma carta de Rabbi Yitshak.  Aí ele conta que se encontro com Rabbi de Leon, e que este lhe contou que tinha em seu poder um manuscrito antigo, do qual se limitara a copiar o texto do Zohar que publicou.

E prometeu que lhe mostraria o manuscrito. Infelizmente, o Rabbi de Leon faleceu repentinamente, e o tal manuscrito nunca chegou a aparecer.  Masi tarde chegou aos ouvidos de Rabbi Yitshak que a mulher e as filhas de Rabbi de Leon confessaram que ele nunca tivera nenhum manuscrito, e que escrevera ele próprio aquela importante obra. Porque razão inventou a história e não se reclamou a glória do importante trabalho? Aventa-se que por razões económicas, para vender mais facilmente o livro.

Investigadores reconhecidos, como Gershom Shalom, estão convencidos de que o Zohar foi efectivamente escrito em Espanha, no século XIII, excepto os últimos livros "Reia Mehemaná" e "Tikunei Ha-Zohar", que teriam tido outros autores, já do se´culo XIV, mas também em Espanha.

Um aspecto curioso, em que alguns autores julgam encontrar uma prova da origem ibérica do Zohar, encontra-se num eventual pequeno deslize do autor.

No livro terceiro do Zohar (Reia Meemaná) o autor anónimo fez um jogo de palavras, que denuncia a época e o lugar.  A língua do Zohar é o aramaico.

Na página 282 a, desse livro, está escrito:

ושכינתא נגה ונגה לאש ומהכא קרו לבי כנשתא אש נוגה

Como todos os textos também este se presta a diversas interpretações. Mais ou menos, teríamos: "E a Shehiná tem um brilho (nogah) e esse brilho pertence ao fogo (esh) e por isso a casa das orações se chama fogo do brilho (esh nogah)"

"Esh nogah" seria um jogo de palavras, uma vez que, entre os judeus peninsulares, tanto na Espanha como em Portugal, a casa das orações de chamava, e se chama ainda hoje "Esnoga", cuja origem é absolutamente diferente: uma corrupção do termo grego "sinagoga", de synagein, reunir. Congregar.

Portanto, o autor do Zohar esqueceu-se de que "esnoga" era um termo moderno, da sua época, e fez o jogo de palavras com "esh nogah"

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