Ao correr da pena
por Inácio Steinhardt, em Israel
 
:: Direito, mas de quem? Data: Sexta-feira, 02 de janeiro de 2009

Prosseguindo do capítulo anterior.

Quando houve uma soberania nacional árabe neste território? Durante 1250 anos de história dominaram aqui os turcos seljúcidas, os cruzados francos cristãos, os mongóis, os mamelucos e os otomanos.

Estes "árabes" ou antes habitantes de diversas etnias de língua árabe, foram libertados em 1917, pelos ingleses que, pouco depois, trouxeram para a Palestina, beduínos da Arábia Saudita. Os árabes ainda hoje se distanciam dos beduínos, e se opõem a casamentos mistos.

Os árabes da Palestina passaram a fazer parte do recém-criado Reino da Transjordânia. Ainda hoje mais de metade da população da actual Jordânia são palestinianos, o que causa não poucos problemas ao rei, cujo avô foi trazido pelos ingleses do Hedjaz, e por isso se apoia na lealdade que lhe têm os seus súbditos beduínos.

Em 1947, a Assembleia Geral da ONU decidiu fazer uma partilha, traçando uma divisão no mapa, e atribuindo uma parte da Palestina a um estado judaico e a outra a um estado árabe.

Os árabes perguntam hoje quem deu à Liga das Nações, ao Governo inglês e à ONU o direito de darem a outros o que não lhes pertencia?

A decisão internacional foi aceite pelos judeus – não sem muita controvérsia interna – mas totalmente rejeitada pelas nações árabes.

O Conselho do Povo (judaico, na Palestina) declarou a Independência de Israel em 5 de Maio de 1948. Logo a seguir teve que abrir as portas a cerca de um milhão de refugiados judeus que foram expulsos dos países árabes, depois de expropriados de todos os seus haveres (e até hoje, passados 60 anos, ainda não receberam qualquer indemnização) e os sobreviventes dos campos de concentração, que viviam em campos de refugiados na Europa.

Não cabe aqui historiar a invasão por cinco exércitos árabes (egípcio, jordano, sírio, libanês, iraquiano) e as guerras que se lhe seguiram. São factos suficientemente conhecidos e verificáveis.

Os refugiados árabes da Palestina, que abandonaram as suas terras para abrir caminho aos exércitos árabes, sob a promessa de regerssarem "dentro de dias", "quando os judeus tivessem sido expulsos oara o mar", vivem ainda hoje em campos de refugiados, na Cisjordânia, em Gaza, e nos países árabes vizinhos. Nada foi feito para os absorver nas sociedades locais!

Na sucessão das batalhas, a linha traçada no mapa pela ONU foi esquecida, e nunca mais, desde então, houve uma fronteira determinada e aceite, entre israelitas e palestinianos.

Depois da última tentativa da Legião Árabe da Jordânia para conquistar o território de Israel, em 1967, a maior parte dos palestinianos continuaram na Jordânia, e os restantes, igualmente com passaporte jordano, continuaram na Cisjordânia ocupada por Israel, ou em Israel mesmo, aqueles que não tinham saído em 1947, tornando-se cidadãos israelitas.

Devemos reparar bem que nunca, antes de 1971, os palestinianos manifestaram o desejo de proclamar um Estado Palestiniano independente.

Foi graças à ocupação israelita que surgiu a ideia de separar a Cisjordânia da Jordânia, e a Faixa de Gaza, do Egipto, e que surgiu a Organização de Libertação da Palestina (OLP), com vistas à proclamação de um Estado independente.

Minha conclusão tão isenta como possível, diz-me que, teoricamente, o direito histórico ao território da Palestina não assiste, nem a árabes nem a judeus.

Dando voz ao sentimento íntimo, claro que, "como judeu" aceito tanto o meu direito histórico (sob o ponto de vista judaico) como o "direito religioso".

O que é o direito religioso? (continua, para quem tiver paciência!)

 


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