Apresentação 
Chamo-me Inácio Steinhardt.
Nasci em Lisboa, em 5 de Outubro de 1933.
Durante muitos anos, não se podia dizer isto na presença dos habitantes de Camarate, que juravam a pés juntos que eu havia nascido na sua aldeia. A verdade é que meus pais, imigrantes judeus chegados em 1932 a Portugal, viviam em Camarate, quando eu nasci. Nasci, de facto, no Hospital Israelita, que então existia em Lisboa, na Travessa do Noronha.
Mas foi em Camarate que vivi os meus primeiros dois anos, e aí fui sempre acarinhado e bem recebido, pela vida fora, enquanto Camarate era ainda uma pequena aldeia, e toda a gente nos conhecia.
Recordo, com carinho e saudades, muitos dos nossos vizinhos de então, mas acima de todos um casal muito querido, em cuja casa aprendi a gatinhar, e a quem eu, que nunca conheci os meus verdadeiros avós, sempre os tratei como tais: o Avô Jacinto (Jacinto Fernandes Moreno) e a Avó Maria (Maria da Conceição Baptista).
Aos dois anos, mudámos para Tremez, outra aldeia simpática, pertinho de Santarém, onde também fiz muitos amigos. Saímos de lá, quando eu tinha cinco anos, e os meus pais se mudaram para Lisboa.
Em 2004, tive oportunidade de voltar a Tremez, numa curta visita, acompanhado pelo meu filho Gabriel, e logo ali fiz novos amigos, que nos receberam com a hospitalidade dos portugueses e e a fidalguia dos ribatejanos.
Iniciei os meus estudos na Escola Municipal n.ª.1, à Rua do Saco, em Lisboa, e aí obtive o diploma escolar da 4.ª classe "com distinção", de que ainda hoje me orgulho e me recorda sempre a emoção que senti, quando o recebi.
Não vou agora relatar aqui todos os episódios da minha vida.
Quem sou eu, hoje, ao escrever estas linhas de apresentação?
Vivo em Israel, para onde vim, em 1976, com minha Mulher e meu Filho.
Trabalhei em Marketing e depois especializei-me em Informação. Trabalhei numa fábrica de papel, durante 24 anos.
Ao mesmo tempo dediquei-me ao jornalismo, completei vários cursos, e fui correspondente em Israel de alguns jornais portugueses, da RTP, da Rádio Comercial, da RDP (Antena Um), da Agência ANOP, e quando esta se fundiu na Agência LUSA, passei para lá.
Depois de me reformar passei a dedicar mais tempo a investigações independentes sobre temas que me apaixonam, principalmente sobre a participação dos Judeus na História de Portugal.
Mas sou sobretudo muito curioso. Não suporto temas históricos por decifrar. Quase tudo quanto tenho publicado é fruto dessa curiosidade e da Providência que sempre me assiste, mais tarde ou mais cedo, na decifração desses pequenos "mistérios".
Continuo a escrever todos os dias: algumas vezes para a gaveta, outras para publicação em revistas da especialidade, e também para este site, e mais dois que vou mantendo, com poucos conhecimentos técnicos.
Num, converso com os amigos sobre «Histórias das Palavras» (em português); no outro, que poderão visitar aqui, escrevo mais sobre os meus encontros com cripto-judeus portugueses e também sobre a genealogia da família Steinhardt, em todos os seus ramos.
Além disso, mantenho em casa um pequeno gabinete de tradução, sobretudo com base nas línguas portuguesa e hebraica.
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